[FP]HOLLOWAY, Evangeline Havel

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[FP]HOLLOWAY, Evangeline Havel

Mensagem por Evangeline Havel Holloway em Ter Jan 31, 2017 3:42 am





— Biografia,
12 de abril de 1607
O sol primaveril francês invadia a sala repleta de convidados naquela tarde de domingo. A família Havel havia convidado todos os parentes e grande parte dos habitantes da alta classe de Annecy. O mais novo casal se casaria no dia seguinte e celebravam naquele dia sua futura união. Evangeline, a noiva, encontrava-se sentada em um divã cor de vinho, trajando um vestido azul claro com babados lilases na saia bufante. Estava com seu braço direito apoiado no braço do divã, segurando uma taça de vinho que fora presente da família de seu futuro marido. Apesar de todos pensarem que aquele era o casamento perfeito, não podiam ler a mente de Eva, que nunca quis se tornar noiva de Derick Holloway, um britânico com cheiro de suor, tampouco casar com ele. Seus olhos fitavam um ponto fixo da sala – mais especificamente um objeto – enquanto sorria para os comentários que lhe eram dirigidos. Olhava fixamente para uma pequena escultura de porcelana chinesa em formato de gato com rubis incrustados em seus olhos. Para qualquer um dos visitantes, era apenas um presente brega de casamento, mas Evangeline sabia seu verdadeiro significado: era o presente de despedida de seu amante, Pierre Leiftan. O barulho ao seu redor não a deixava desconfortável – pelo contrário, a deixava calma e focada nos seus objetivos daquela noite: veria seu amante uma última vez antes de mudar-se para Inglaterra, contra sua vontade. Apesar de ter insistido para que Pierre aparecesse no encontro que agora acontecia, ele negara – não queria vê-la sob a luz do sol. Seus encontros sempre foram noturnos e ele afirmava que queria vê-la pela última vez da mesma maneira que se encontraram dez meses antes: sob a luz do luar.
- Evangeline? – uma voz a chamou. Piscou algumas vezes antes de notar que quase todos da sala olhavam para ela naquele momento.
- Perdão, eu estava pensando no casamento – disse, com um sorriso agradável e convincente em seus lábios.
- Falávamos sobre a lua de mel de vocês: será em Moscou, certo? – quem lhe dirigia a palavra era a mãe irritante de Derick. Seu cabelos cor de palha esbranquiçada estavam sempre bagunçados, além de sempre estar com cheiro de bebida e seus olhos sempre embriagados. Odiava aquela bêbada leviana.
- Oh, sim, foi um presente maravilhoso que a senhora nos deu. – sabia que seu sorriso convenceria até o Papa a acreditar nas mentiras que contava naquela sala, então não preocupou-se em inventar desculpas.
Os convidados voltaram a conversar e a tarde foi se arrastando, fazendo com que o sol desse espaço a um poente amarelo queimado, prenunciando um possível temporal. A primeira a notar que seriam pegos pela chuva foi uma prima de Evangeline, que anunciou que era hora de todos partirem antes que o mundo desabasse sobre suas cabeças. Uma breve confusão iniciou-se: todos queriam despedir-se dos queridos noivos, mas poucos conseguiram e resolveram que sair antes do temporal era mais valioso do que abraçar pessoas que veriam no outro dia. Quando Evangeline, seus pais e o noivo ficaram sós na sala, Derick deu um largo sorriso.
- Não sinta minha falta hoje, querida. Esta é a última noite em que dormirá longe de meus braços. – pegou a mão esquerda da noiva e depositou um rápido beijo, antes de dirigir-se para porta e seguir para sua própria casa.
Eva o acompanhou com os olhos, desejando que ele fosse pego pelo temporal e que o cavalo de sua carruagem negasse a continuar o trajeto, forçando-o a caminhar pela chuva e pegando um resfriado, que faria com que o casamento fosse adiado. Mas isso era apenas um desejo, e ela sabia que Pierre daria continuidade ao noivado mesmo que perdesse uma perna.
- Eu vou descansar, já devem ser quase sete horas e eu mal pude dormir noite passada. – anunciou, segurando o vestido para subir as escadas de madeira que a levava até seu quarto.
Ouviu seus pais dizerem algo – provavelmente relacionado ao Grande Dia -, mas prestou atenção no ecoar de seus passos nos degraus de carvalho. Ao chegar ao topo da escadaria, seguiu à esquerda até a porta do seu quarto, abrindo-a e entrando no ambiente, além de trancar silenciosamente a porta para que ninguém a importunasse naquela noite. Dirigiu-se até o enorme espelho que ficava dentro de seu armário, esforçando-se para tirar aquele vestido horrendo e desconfortável que fora dado – obviamente – por sua sogra medíocre.
Conseguiu desvencilhar-se da enorme quantidade de tecidos e ficou apenas com a roupa branca debaixo enquanto escolhia um perfume para usar em seu corpo. Escolheu um frasco azulado com aroma de jasmin, e, ao banhar-se nele, fechou a porta do armário, escondendo aquele espelho que lhe causava calafrios durante a noite. Estava indo em direção à sua cama quando sentiu um braço frio enrolar sua cintura e lábios úmidos encostarem em sua orelha esquerda dizendo:
- Eu estava ansioso para vê-la.
Com um sorriso – dessa vez verdadeiro – virou-se e observou o homem com quem gostaria de passar o resto da sua vida. Ele trajava um paletó com gola alta preto, que se destacava em sua pele pálida e fazia com que seus cabelos louros ganhassem certo destaque. Aproximou o rosto do de Pierre e depositou um beijo suave em seus lábios, desejando beijá-lo por mais vezes naquela noite e sentindo seus dedos rígidos acariciarem a cabeleira ruiva da mulher. Afastou-se levemente do homem para observá-lo, vendo que em seu rosto estava estampado um sorriso levemente assustador. Quando se conheceram, dez meses antes, Evangeline sentia certo receio de Pierre pois ele sempre a encarava com olhos cheios de desejo. Nas primeiras semanas que se encontravam, a moça achava aquilo esquisito e apavorante. Depois de um tempo, passou a entender que aquele sorriso e aquele olhar eram apenas a expressão de um homem perdidamente apaixonado, coisa que ele sempre alegara ser, afinal ele nunca tentara deitar-se com ela e tirar sua honra, tampouco demorar-se muito nos beijos que trocavam. Naquela noite, porém, o sorriso estava assustador outra vez. O rosto de Eva ficou sério de repente e tentou se afastar um pouco mais de Pierre, mas suas mãos apertavam seus braços com convicção e força, quase machucando-a.
- Você está me assustando... – disse, quase que em um sussurro.
Subitamente, um sorriso ainda mais assustador – beirando ao psicótico – surgiu no anteriormente tranquilo rosto de Pierre. Ele puxou-a contra si e caminhou lentamente para frente, fazendo com que ela cegamente desse passos incertos para trás e, quando ela sentiu a beirada da cama em sua perna, Pierre empurrou-a para o colchão, sem soltar seus braços e colocando seus joelhos ao redor dela.
- Você não sabe o quanto eu esperei por isso, Evangeline. – e foi então que ela percebeu que seus caninos eram – ou estavam – proeminentes em sua arcada dentária.
Arregalou os olhos e iria gritar, mas o homem deu um soco em seu rosto e lhe tapou a boca. A mulher sentiu tudo ao seu redor girar enquanto Pierre dizia algumas palavras que ela não pode distinguir devido ao impacto em seu rosto. Aquele que um dia fora seu amante colocou a língua para fora e começou a lamber o pescoço de Evangeline, que estava sentindo uma mistura de pânico com um pouco de prazer. Sabia o que aquilo significava. Ela iria morrer – isso era fato -, mas o pensamento de que não seria obrigada a casar com um homem que desprezava e que morreria nas mãos de quem amou durante meses lhe fazia bem. Fechou os olhos e sentiu os dentes de Pierre cravarem na carne de seu pescoço. Tentou gritar de dor, mas seu grito fora abafado pela pesada mão daquele monstro que estava em cima de si. A única coisa que conseguiu fazer foi morder a palma de Pierre até sentir o sangue dele escorrer para dentro de sua boca. Sentia as lágrimas escorrerem de seu rosto enquanto tudo ao seu redor tornava-se ainda mais escuro... escuro... mais escuro...

14 de abril de 1607
Acordou com um sobressalto. Tivera um pesadelo horrível sobre Pierre e o ardor em sua garganta indicava que provavelmente estava com uma gripe terrível. Como sua garganta doía. Apesar de estar em um quarto escuro, conseguia enxergar tudo que estava ao seu redor, inclusive as flores que estavam depositadas em sua cama e o vestido branco e esquisito que usava. Diabos, isso é uma mortalha? Pensou, livrando-se das cobertas e colocando os pés no chão. Sentia um forte cheiro metálico ao seu redor, então resolveu olhar para baixo – e gritou. Sua mãe estava deitada no chão do quarto com a garganta aparentemente cortada, porém não havia grandes quantidades de sangue ao seu redor, a não ser uns leves respingos em seu rosto que... Sem pensar, agachou-se ao lado do cadáver e lambeu as gostas de sangue remanescentes no rosto daquilo que um dia fora sua mãe. Enquanto levantava-se, a porta do quarto abriu-se e Pierre surgiu com um olhar sombrio.
- Ela entrou quando você bebeu meu sangue e... bem, eu trucidei sua mãezinha e lhe dei um pouco do sangue dela para beber. – a voz dele parecia divertida, mas seu rosto calmo parecia dizer que não estava brincando.
Evangeline olhou com raiva para Pierre, mas não conseguiu fazer nada. Não tinha motivos para fazer alguma coisa: ela já havia compreendido a situação e, satisfeita ou não, era impossível voltar atrás.
- Você falhou em me matar. – foi o que disse ao empurrar ele para o lado e atravessar a porta para o corredor escuro.

 




Evangeline Havel Holloway



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Dreaming dreams no mortal ever dared to dream before;
   But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,
   And the only word there spoken was the whispered word, “Lenore?”
This I whispered, and an echo murmured back the word, “Lenore!”—
           Merely this and nothing more.
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