[FP] - Jason Starling

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Mensagem por Jason Starling em Sab Jan 21, 2017 11:46 am





— Biografia,

Diz a lenda que os lobos são solitários. Crias da noite, fadados a andarem pelos cantos do mundo uivando para os enamorados que nunca tiveram. Ela, a grande Luna, não mostra sua face para ser piedosa. Mostra-se para ser cruel. Castiga seus filhos pois a ela não foi dada a escolha e a ninguém ela oferecerá.

Separada de Solaris, a Mãe da Noite chora todos os dias, derramando estrelas cadentes no firmamento ou mesmo chuvas de prata por todo o mundo. Essa era a história que meu pai contava para mim, que meu avô contava para meu pai e meu bisavô contou para meu avô.

As gerações nunca esquecem. Eu não seria diferente. Porém, era mais do que cruel a vida imposta a um simples adolescente com desejo de se formar e ter uma vida normal na faculdade de Filosofia. Era bárbaro. Assim eu pensava enquanto saía do meu primeiro cinema com a garota que eu tanto gostava desde a quarta série.

Rebecca ria das minhas piadas relacionadas ao protagonista do filme de ação que sempre chegava na hora certa e no lugar certo, mesmo quando aquele prédio tinha trinta segundos para ser implodido. Fora na cena de romance entre o agente secreto e a representante de um banco inglês que aconteceu meu primeiro beijo.

Estávamos andando de mãos dadas até a esquina do cinema. Seu pai buzinava no Ford antigo e bem conservado. Trocamos mais um beijo. Ela se foi. Talvez para todo o sempre, mas naquele momento eu não saberia afirmar tal coisa. Peguei minha moto e segui na direção oposta ao carro do pai de Rebecca.

O atalho pela trilha na floresta, mesmo naquela noite, parecia bem mais iluminado do que o normal. A lua estava mais próxima da órbita terrestre e seu disco esbraquiçado agia como um imenso holofote, facilitando minha viagem. Ainda pensava na garota loira e seus lábios tão perfeitamente desenhados.

Tive sorte ao desviar daquele animal no último segundo. A moto girou e eu fui arremessado para frente, batendo com a cabeça em um tronco. O capacete rachou, mas não me impediu de sangrar. Com as roupas sujas de terra e folhas e as mãos e testa cobertos de sangue e sujeira, me levantei desajeitadamente e procurei minha moto.

Estava intacta, do meu lado. Algo passou perto de mim e me derrubou. Minha perna começou a arder. Mesmo com o grito de dor, aparentemente ninguém mais estava ali para ouvire me socorrer.

Pensei ter visto um par de olhos amarelos me espionando perto de um arbusto, mas nada estava ao meu redor além da lua, das árvores e do veículo que eu empurrava com dificuldade até o final da trilha que levava à estrada.

Já em casa, no topo da colina, minha mãe praguejava em alguma língua que eu desconhecia ao me ver todo sujo. Meu pai mantinha a pose reticente, fumando seu cachimbo enquanto encarava o horizonte da janela em sua cadeira de balanço. Quando minha mãe rasgou a calça para me limpar, o ferimento que eu jurava ter visto havia sumido.

Depois de demoradas semanas que pareciam preguiças se arrastando em uma rodovia, entendi o que havia acontecido. Meu pai, depois de meu acidente, voltara a falar comigo. Ele repetia a mesma lenda de sua tribo, Luna e sua fúria para com os próprios filhos.

Foi então, no mês seguinte, na mesma lua cheia, que eu entendi o recado passado por meu progenitor. Estava tudo indo muito bem na casa de Rebecca. Ela havia me convidado para jantar, os pais eram extremamente simpáticos e o cachorro vivia rosnando e me encarando como se eu fosse um pedaço de carne.

Na mesma noite, enquanto minha blusa, sapatos e meias estavam no chão junto do sutiã de Becca, eu senti. Luna havia olhado para mim e eu retribuí o olhar. O grito de pavor de minha ex-namorada me assombra até os dias de hoje. Seu rosto tão delicado com respingos do sangue que jorrava de sua garganta. A Mãe da Noite não tem clemência. Ela me odeia assim como todas as suas crias. A mim foi dada uma condição macabra: andar de dia sobre duas pernas, mas à noite, os lobos mais ferozes temeriam o meu uivo.

 




Jason Starling



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