[FP] Lëmminsk, Avalon.

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[FP] Lëmminsk, Avalon.

Mensagem por Avalon Lëmminsk em Sex Fev 24, 2017 6:59 pm





— Biografia,


MAINE, 10:00 a.m.

 A cidade fedia à peixe e brisa do mar. Malakay sentia o frio passar pela sua casca com uma indiferença quase infantil, enquanto seguia a mulher idosa à sua frente. Totalmente vestida de branco, com o uniforme do manicômio, ela parecia menos patética do que sugeria sua linguagem corporal. Mas seus olhos negros de infâmia podiam sentir a aproximação dos ceifadores. Aquela mulher morreria em breve, embora as razões lhe fossem um mistério. Paciente, ele foi conduzido pela recepção do local. Uma menina simpática de cachos dourados anotara o nome de seu receptáculo, um renomado neurocientista do Queens, Nova York. Sentiu a leve mudança na sua postura ao perceber com quem estava falando. Sorriu de maneira mais abrangente, inconscientemente revelando mais de seu decote. Se ao menos ela soubesse quantos decotes Malakay vira nos últimos anos...

- Tem certeza de que não será um problema, Agnes? Posso voltar depois se o paciente estiver indisposto. - Avisou, num tom cortês que sempre caíra bem em seus lábios mentirosos, não importando o corpo que ocupasse.

- Não senhor, doutor. O rapaz dormiu o dia inteiro. A família insiste em sua visita, já não sabem mais o que fazer. Além do mais, o diretor foi específico sobre as visitações de um médico particular. Só permitirá que venha uma vez por semana. - Malakay sorriu. Não precisaria voltar ali novamente. Lenta, mas firmemente, seguiu a enfermeira Agnes pelos corredores com cheiro de loucura e impurezas humanas. Fazia tempo não sentia tão de perto a imundície da qual fizera parte. - É este o quarto, doutor. O jovem tem alucinações constantes. Não se impressione.

- Não se preocupe, Agnes. Não me impressiono fácil. - Rebateu, por obrigação. Sentiu a terra úmida do asfalto friccionar no chão liso do quarto, enquanto encarava a figura à sua frente. Sorriu, cínico. Não podia ser melhor.

   O rapaz abraçava a si mesmo, os cabelos maiores do que se julgaria adequado. Com um dedo deslizando sobre os próprios lábios, tinha manchas de lágrimas recentes nos olhos e marcas de arranhões no pescoço, que provavelmente infligira a si mesmo. Jogado contra um dos cantos do cômodo, parecia um animal naquelas roupas de hospital, mas Malakay podia ver a luz daqueles olhos claros. Roupas de cama revolvidas espalhavam-se pelo local, e o demônio evitou pisar nelas, como se quisesse impedir que aquela sujeira contaminasse sua casca. Sentou-se lentamente na cama do paciente, olhando para o rapaz que permanecia imóvel, sem encará-lo.

- Há quanto tempo ele está assim? - Indagou, tentando avaliar quanto do jovem permanecia ali dentro.

- Oito anos, doutor. Sou funcionária da família desde então. Durante três anos, foram apenas estranhas visões que o pobre rapaz alegava possuir. Eu cuidava de sua falecida avó na época, e fiquei preocupada. Foi por minha sugestão que os patrões buscaram um médico, que detectou a esquizofrenia. O patrãozinho ouvia vozes, via monstros e espíritos em sua mente. Foi internado com dezoito anos, e só piorou. - Malakay podia detectar as emoções aflorando na tola mulher. De seu coração acelerado até a produção de suor em seus poros, tudo denunciava seu apego àquele rapaz. - Quando o senhor surgiu alegando que podia ajudar na condição do menino, todos ficaram tão esperançosos. Será possível ajudá-lo, mesmo?

- É claro. - O demônio sorriu, fazendo sinal para que a enfermeira fechasse a porta do quarto do rapaz. Ela obedeceu, e aproximou-se, sentando ao seu lado. -  Veja bem, Agnes. Existem algumas famílias especiais no mundo. Seu patrãozinho vem de uma delas. Desde o início do mundo, alguns são escolhidos ao possuírem o dom de moldar a existência. - Notou a primeira nota de desconfiança no rosto da mulher. A mais pura confusão. - O jovem Avalon Lëmminsk é um bruxo, e sua avó morreu antes de iniciá-lo. Nem seu pai, nem seu tio despertaram o Dom. A velha Vivienne pensou que o poder de sua família morreria com ela. E condenou seu neto à loucura, preso na própria mente por dons que não consegue compreender. Felizmente, eu fui um bruxo antes de morrer, o que torna seu amado patrãozinho perfeito para mim... - Revelou a sua natureza obscura, piscando olhos negros como piche para a mulher. O rapaz enlouquecido gritou ao finalmente fitá-lo, e Malakay sabia que ele podia ver através de si, usando algum feitiço de sua família de modo involuntário.

        Agarrou o pescoço da mulher rapidamente, impiedoso. O torceu como a um graveto, e o corpo sem vida caiu ao lado da cama. O rapaz já não gritava, chocado mesmo através de suas confusas ondas cerebrais. O fitava com um choro mudo, como um cão assustado. Agachando o corpo de meia-idade em frente ao rapaz, puxou os longos cabelos castanhos para trás, sentindo certo prazer erótico e animalesco em sua expressão de dor. Abrindo a boca de sua casca mais do que seria humanamente possível, escapou para longe daquele corpo velho, preenchendo todas as lacunas do herdeiro perdido à sua frente. Antes de abrir os olhos em seu novo corpo, ouviu o pobre Dr. Heather despencar de cara no chão, certamente morto depois das muitas peripécias que realizara em sua companhia. Espreguiçando o corpo lento do rapaz, afastou os cabelos do rosto e ergue-se, removendo as roupas ridículas de hospital. Um tanto pervertido, avaliou o seu novo corpo nu, com um sorriso satisfeito. Apesar de totalmente desleixado, o jovem Avalon não era de todo ruim. Agora que seu Mestre desaparecera, precisava de um receptáculo forte para encontrá-lo e garantir que seus desígnios fossem obedecidos. Ouvia rumores ultrajantes de desertores abandonando a busca e seguindo os próprios desejos, quando todos sabiam que Lúcifer certamente retornaria em breve. Malakay seria o primeiro a encontrá-lo, seu mais leal servo e general feiticeiro. Seria recompensado, e puniria os infiéis. Tudo à seu tempo. Pulou o corpo da velha enfermeira, não podendo evitar o sorriso que se formou.

- Eu devia ter suposto que sua morte seria por minhas mãos, querida Agnes. Espero que o ceifeiro lhe tenha trazido boas notícias... - Seu tom de falsa misericórdia deu lugar à plena excitação. - Agora, é hora de incendiar um manicômio. Certamente a grande maioria aqui nem vai notar que está queimando... E eu odeio pontas soltas...

MAINE, 13:00 p.m.

    Enquanto o manicômio Saint Monica ardia às suas costas, Malakay tomou um ônibus de volta a Nova York, pronto para tomar posse do dinheiro de Avalon e da proteção de sua família rica. Sabia que o protegeriam independente das circunstâncias de sua melhora, tão mesquinhos e egoístas que eram. Logo poderia partir para o centro de todos os rumores, no Alasca. Logo, estaria livre para despejar no mundo a sua fúria...


 




Avalon Lëmminsk / Malakay



IDADE:Hospedeiro: 24. Demônio: Indefinida. (Aproximadamente 500 anos).
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